Criei esse blog para servir de "diario" do meu doutorado. Colocarei aqui livros que estou lendo, sites, artigos, etc. O espaço esta aberto para discussoes, entao sinta-se livre para dar sua opiniao, sugestao de leitura, entre outras coisas.
sábado, 30 de outubro de 2010
Frankenstein PosterAinda no mesmo dia que assisti The Jazz Singer, vi Frankenstein (1931), de James Whale.

O filme foi feito ainda na transiçao (da generalizaçao) dos filmes "mudos" para "falantes". Alguns problemas tecnicos ou "circustancias especiais" causados pela generalizaçao dos filmes falados sao vistos em Frankenstein. Como objetos em primeiro plano que escondem os microfones. Cenas de um pouco mais de açao ainda limitadas, por conta dos posicionamentos dos microfones para captura das falas. entre outros.

No site (dedicado a filmes classicos de terror), a musica original é creditada à Bernhard Kaun.

Frankenstein é um grande filme.

Na primeira cena o "narrador" (que seria mais o bonimenteur, aquele que contava, ou narrava os filmes dentro da sala de cinema, até mais ou menos a primeira guerra mundial... nao que o interesse fosse se apropiar da funçao desse, mas provavelmente seria de fazer um prologo, e mostrar que a historia poderia ser algo real) alerta o publico sobre o conteudo do filme. Isso visto em cinema deveria ser realmente assustador.

Encontrei o filme dividido em 7 partes no youtube. Colei o link da parte 3 por que o youtube nao esta me deixando abrir a primeira parte. Mas é so clicar na direita e ir vendo em ordem.

Encontrei no youtube também um documentario de como foi feito o filme (ele esta dividido em 5 partes).

Ainda nas minhas procuras na internet, encontrei um curta metragem, de 1910 de Frankenstein, feito pelos Estudios Edison.



Nao da para saber se os cartoes sao adptaçoes do original. A musica do video (midi, que alguem deve ter composto e colocado) nao foi creditada. Nada no video foi creditado. Mas segundo o archive.org (onde o video esta disponibilizado para download de graça) a direçao é de J. Searle Dawley.

Abraços

CH
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ontem aproveitei a tarde fria para ver dois filmes. Um deles foi The Jazz Singer (1927), de Alan Crosland.

Jazz Singer foi o primeiro filme com dialogos sincronizados na historia do cinema.

Duas sequencias tiveram os dialogos sincronisados :

A primeira Jack Robin (interpretado pelo ja celebre cantor Al Jolson)  canta em um bar, e logo apos cantar a primeira musica ele diz "vocês nao ouviram nada ainda". Frase bem interessante, pensando que a propaganda do filme era em cima dele ser o primeiro com dialogos sincronizados, e as pessoas iam ao cinema ver The Jazz Singer para ouvir os dialogos. Al Jolson dirige essa fala às pessoas dentro do bar, em um plano onde a camera esta no mesmo espaço de seu publico. A partir desse ponto de vista da camera, o ator fala na realidade diretamente com o espectador. Apos uma breve passagem "falada", ele "anuncia" que isso nao é nada, que mais vira pela frente.

A segunda sequencia é a do dialogo entre Jack Robin e sua mae (quase um monologo, pois so o cantor Al Jolson fala e canta). Essa sequencia é engraçada, pois Al Jolson canta e fala enquanto toca piano. O piano foi "dublado ao vivo". Enquanto ele fingia que tocava, um pianista fora do campo da camera é que realmente toca o piano. Nessa sequencia, o pai de Jack Robin entra na sala e diz "Stop !!!", e os dialogos sincronizados, como por azar, param e o filme continua com a tradiçao dos filmes "mudos", com dialogos escritos em cartoes. 

O filme foi produzido pela Warner Bros, que ja tinha lançado alguns filmes sonoros sincronizados (sem dialogos, como Don Juan por exemplo, do mesmo diretor e mesmo engenheiro de som).

Nao encontrei o filme no youtube ou no google videos, ele deve ter os direitos protegidos ainda.

Abraços

CH
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
ajcAnnabel J. Cohen é uma importante pesquisadora em musica de filme. Ela trabalha com cogniçao musical no departamento de psicologia da Universidade Prince Edward Island.

Ela realiza desde os anos 80 pesquisas (empiricas) importantes no estudo do tratamento cognitivo da musica e imagem.

Um dos seu trabalhos mais citados é o quadro de como funcionaria a participaçao da musica, efeitos sonoros, texto, imagem, e voz na contruçao de significado e direçao de atençao no cinema (de 2005).

Ela disponibiliza quase todos seus artigos on line (em PDF).

Recomendo a leitura de todos seus artigos pois é importante reunir conhecimentos de diversas areas.

Seu artigo (junto com Marshall) de 1988 é igualmente um dos mais citados por outros autores, mas um dos mais contestados (principalmente o modelo proposto).

Mesmo nao sendo o objetivo de Cohen, seus artigos ajudam à realizaçao de analises (mais teoricas) de sequencias de filme.

Abraços

CH  
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Hoje assiti a The Robe (1953), do diretor Henry Koster.

Como a gente vê ai no cartaz, The Robe foi o primeiro filme feito  com o Cinemascopio (metodo de compressao da imagem na hora de gravar, e que é descomprimida na projeçao).

Com a importancia do cinema aumentado cada vez mais, surgem varios filmes épicos. E filme épico "pede" musica também épica, com grandes orquestras, coros, etc. The Robe nao foge "à regra". A musica foi composta por Alfred Newman  (compositor do tema classico da 20th Century-Fox) e orquestrada por Edward B. Powell .A musica é quase uma atraçao à parte. Ela é intensa e quase onipresente, mesmo entre dialogos. E, quando ela nao esta presente o filme é realmente silencioso, muitos sons foram deixados de lado. Mas, grande parte da ambiencia de estudio e chiados de microfone (ou da abertura da banda sonora para a entrada de dialogos) sao bem aparentes (me fez pensar que em algumas sequencias a musica realmente serviu de remendo).

Encontrei o filme no youtube. Esta dividido em 17 partes.

Abraços

CH

Terminei essa semana o livro Emotion and Meaning In Music, de Leonard B. Meyer. O livro é de 1956.

A importancia desse livro (citado por quase todos os teoricos que escrevem sobre emoçao e significado em musica) é que nele, Meyer analisa o tema de uma "nova" (nova na época) maneira. Ele se focaliza nas expectativas evocadas pela musica (sobretudo à criaçao e "decepçao" dessas expectivas). é importante também por considerar em sua teoria somente elementos musicais, internos à musica. Topics e outros elementos conotativos e metaforicos nao sao seu foco principal (ele explica o porque logo no começo do livro... mas Meyer usa o ultimo capitulo para discutir um pouco a questao de associaçoes). Seu livro influenciou outros importantes estudos (alguns mesmo bem recentes, como Huron 2007).

Claro que é a ler com um olhar critico. O livro é de 1956 e experiencias no campo da psicologia (cognitiva) musical ainda nao eram tao evidentes e desenvolvidas. Mas, apesar de criticas à sua teoria, duas coisas sao importantes e ainda restam validas : respostas emocionais "extraidas" de expectativas que os auditores desenvolvem em um determinado contexto (como dentro de genero musical por exemplo) ; e que nos aprendemos a ter esses comportamentos em resposta à determinados elementos musicais.

Ele nao entra em detalhes em como aprendemos a "esperar" algo da musica, mas ja é sabido, que nos aprendemos implicitamente, simplesmente à base de uma exposiçao repetida... mas isso é um assunto para um outro post.

Encontrei esse artigo sobre o livro. Na verdade é mais um resumo. Nao li, mas passando olho vi que ele resume bem alguns topicos.

abraços

CH
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Sideways PosterEsse final de semana revi o filme Sideways (2004) de Alexander Payne. Lembro de ter gostado do filme quando ele saiu, e quis reve-lo. O filme tem seus momentos engraçados, dramaticos e angustiantes. Engraçado como o diretor joga com os planos em sequancias onde a gente se aproxima dos personagens, as passagens com camera no ombro, grandes zooms... nao vou analisar o filme, escrevo so para vocês terem vontade de assiti-lo (ou reve-lo).

A trilha sonora é bem interessante também. As musicas originais sao creditadas à Rolfe Kent e foram compostas em um estilo bem jazzistico. Quando comecei a escutar a musica, uma inacreditavel semelhança à musica de Ratatouille (2007, musica de Michael Giacchino) me veio a cabeça. Nao a musica, mas sobretudo a orquestraçao (Micheal Giacchino nao é creditado como orquestrador de Ratatouille, mas sim Tim Simonec... os dois sao parceiros ja tem tempo... e a musica ser orquestrada por outro musico é bem comum em Hollywood). A maneira de tratar as variaçoes em textura, instrumentaçao sao bem semelhantes. A musica de Ratatouille é bem mais interessante e menos generica que a de Sideways. Mas se parecem um pouco (algumas funçoes narrativas como leitmotivs, topics, etc, nao sao tao exploradas em Sidways).

Outro elemento interessante na trilha sonora vem das musicas e cançoes de outros compositores que fazem parte do filme. Elas sao creditadas no fim, e a gente logo ve pelos nomes das musicas que as tematicas escolhidas se encaixam muito bem no filme. Destaque para um dos temas principais : Symbiosis, 2 movimento  A, composto por Claus Orgemann e executado por Bill Evans.

Um otimo filme.

Trailer :



Abraços

CH
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Acabei de ver He Who Gets Slapped (1924) do diretor Victor Sjöström. O filme é um drama com um humor bem peculiar. Nao é bem um humor negro, ele é mais tragico, o filme literalmente ri da tragedia dos outros. Mas ele nao quer ser engraçado. é realmente muito estranho, estou tentando digerir ainda... 


Esse filme é importante em varios aspectos. Ele foi a primeira produçao da MGM. MGM é aquela compania do leao que ruge nos créditos do começo dos filmes... alias, esse é o primeiro filme em que ele aparece. 


O filme é cheio de simbolismos, quase poetico. Bem estilo europeu de fazer filme (o diretor, nao por acaso, é suiço). 


A versao que vi agora em casa tem uma musica bem estranha. Estranha no sentido de nao corresponder ao estilo da época, com sons de aplausos e risadas sobrepostos à propia musica. A trilha se interrompe em varios pontos do filme. Fiquei confuso, imagino que seja uma remontagem feita pela TCM. Curioso, procurei na internet para ver se encontrava o filme todo, ou pelo menos algumas sequencias, para poder comparar. Acontece que encontrei o filme completo, e de graça, disponivel on line. E a musica nao é nada parecida com a versao que tenho em casa. Fiquei intrigado com os sons sobrepostos que encontrei na minha versao, e acontece que nessa da internet, os efeitos sonoros (como risadas e tapas) sao feitos pela propia orquestra. Entao, acredito que essa versao on line seja mais proxima da versao de 1924. O compositor nao aparece nos creditos do filme, nem mesmo o IMDb credita o compositor do filme. 


Essa trilha sonora, da versao on line, joga mais com os sons de tela (musica diégética), como a musica da orquestra do circo. Ela passa de musica de fossa a musica de tela durante algumas partes, o que gera um efeito bem interessante, ainda mais vindo de uma unica fonte sonora (a orquestra). A trilha sonora ainda faz varias referencias a temas conhecidos (classicos ou populares). 


Nao vi essa versao on line, mas passei por algumas sequencias, ela me parece bem diferente dessa que eu tenho... até mesmo melhor. Assim que tiver tempo irei ver essa versao que encontrei na internet.


A musica e os "sons", assim como quase todos os elementos do filme, ajudam a criar esse senso de humor estranho. Cenas tristes com musicas alegres, sons que saltam da trilha sonora, que alias, nao segue a forma classica de trabalhar a musica no cinema america. Poucos leitmotivs também (nao me lembro de nenhum, talvez so o som interno da entrada do palhaço no picadeiro, mas que é mais uma vinheta, usada pela orquestra do circo).  


Recomendo fortemente  He Who Gets Slapped. 


Filme inteiro : 




Abraços




CH

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